19/04/2009

"A sociedade catarinense precisa decidir se quer lavoura ou favela."

Eu quero mata ciliar mesmo, Sr. Luiz Henrique.

11/04/2009

"o Brasil parece um hospício com a contabilidade em dia"

Esquizô! Esquizô!

"Poderíamos declarar inelegíveis para
a universidade pública belezas globais
como as atrizes Carolina Dieckmann,
Luana Piovani e
Deborah Secco"

Tem dias que o Brasil parece um hospício com a contabilidade em dia. O médico Antonio Palocci cuida com zelo das colunas do débito e do crédito. O país está crescendo 5% ao ano, bate recordes de exportação, tem a mais baixa inflação com que se poderia sonhar e está ficando a cada dia mais confiável ao investidor estrangeiro. Mas só um esquizofrênico poderia deixar de perceber o que alguns malucos estão fazendo no pátio do manicômio.

No Rio de Janeiro, o cenário mais exuberante do sanatório, a polícia está pegando crianças que vivem na rua. Os jornais estão publicando fotos de meninos que mal ultrapassam a altura de uma mesa sendo arrastados aos berros por policiais parrudos em trabalho que é oficialmente definido como "social". A verdade é que a polícia foi encarregada de livrar a paisagem dos pivetes. O objetivo é tranqüilizar turistas, assustados com as notícias sobre assaltos e assassinatos de estrangeiros no Rio de Janeiro.

Em Brasília, um deputado petista apresentou um projeto que regulamenta a prostituição. Caso a lei venha a ser aprovada, prostitutas, prostitutos, dançarinos que se apresentam nus ou qualquer pessoa que tenha como função despertar a sexualidade alheia serão classificados como "trabalhadores da sexualidade". Para quê? Para que essas pessoas sejam registradas no Ministério do Trabalho e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Continuarão sendo prostitutas, prostitutos e dançarinos pelados, só que com carteira assinada. Pergunta: alguém levaria no bolso um documento em que é descrito como operário da sexualidade? A intenção pode ser das melhores, mas a execução parecerá mais perseguição ao sexo pago do que proteção ao trabalho. No Brasil, metade da mão-de-obra ganha o salário sem carteira assinada e ninguém está nem aí. Para não falar do exército de pobres coitados trabalhando em regime de escravidão em fazendas nos grotões do gigante adormecido em berço esplêndido.

Nas universidades, a discussão do momento é implantar cotas para o ingresso de negros e índios no ensino público superior. Muito justo. As vagas no melhor ensino superior gratuito são ocupadas quase inteiramente por brancos, filhos das classes média e alta. Na Universidade de Brasília, no entanto, a turma está exagerando. Como o número dos "falsos negros" triplicou nos dois últimos vestibulares, há uma comissão para tirar a prova dos noves. Examina o tipo de cabelo do candidato, a cor da pele, o formato do nariz. O único método aceitável de avaliação num país com a fluidez racial do Brasil é aquilo que a pessoa diz de si própria, ou seja, a auto-atribuição da raça. Fora isso, a coisa ganha um ranço de preconceito. Que tal radicalizar e inverter a equação? Poderíamos declarar inelegíveis para a universidade pública belezas globais como as atrizes Carolina Dieckmann, Luana Piovani e Deborah Secco. Elas são objeto de enorme preconceito a favor. São ótimas atrizes, mas levam uma vantagem na linha de largada, por serem lindas e perfeitas como são. Pois que paguem sua faculdade particular se quiserem estudar.

Parece injusto com as nossas beldades, pois não? Parece comportamento de manicômio. Muito bem. É tão inaceitável como caçar crianças de rua com a carrocinha, tão esquisito como fichar prostitutas e tão descabível como medir a taxa de negritude de vestibulandos num país mestiço como o Brasil.

por Tales Alvarenga em http://veja.abril.com.br/151204/tales_alvarenga.html